Cinema revisitado

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Amigas de colégio
(Fucking Åmål, 1998)

Temáticas adolescentes são constantemente abordadas pela indústria cinematográfica - em especial, pela norte-americana - por meio de clichês, fazendo dos filmes do gênero obras inverossímeis. Amigas de colégio, drama sueco de Lukas Moodysson, felizmente se distancia dos lugares-comuns. Há sim diversos símbolos do universo adolescente, como a menina bonita e popular em oposição à colega desajustada e introvertida, porém as personagens possuem camadas e subjetividades além do que a superfície permite mostrar.
O filme se passa na Suécia, mais especificamente em Amal, descrita pelos próprios moradores como o lugar mais entediante para se viver. Agnes (Rebecka Liljeberg) é nova na cidade e, excluída na escola, é secretamente apaixonada pela colega Elin (Alexandra Dahlström), com quem jamais falou. Elin, por sua vez, é a garota mais desejada do colégio e, na festa de aniversário de Agnes, a surpreende com um beijo. O que não passaria de uma aposta feita com a irmã, torna-se um sobressalto para Elin, que vê-se então compartilhando dos sentimentos da colega.
Lukas Moodysson jamais direciona sua história somente para a questão da orientação sexual das duas jovens, que encontram-se apaixonadas, porém, não necessariamente homossexuais. Amigas de colégio é esteticamente um retrato da cidade de Amal: triste e tediosamente real. Não obstante, tal característica não incomoda, mas sim acrescenta ao enredo, visto que é impossível não se comover com o cotidiano de Agnes e Elin, que talvez tenham no amor uma única forma de escapar da insipidez de suas próprias existências.

4 comentário(s):

Pablo disse...

hum...enredo instigante.Além do mais, uma boa pedida pra extrapolar o universo dos clichês norte-americanos.
E o poder do amor de apagar a insipidez das existências dessas pessoas é sublime!Adorei, Pat.

porelsur disse...

vc tem esse filme?? qro ver!!

Rafael disse...

O final do post me tocou, sério. Quero ver!

Carla disse...

tão bonito esse filme, de uma dorzinha que cresce devagarzinho mas nunca o suficiente pra fazer a catarse que a aliviaria...

Adorei o post.